Ramos – novo álbum

Aqui você encontrará as notas de programa (em português) do álbum Ramos.  Para a página completa do álbum, visite Ramos Redshift Records.

Construção II (2011) de Rafael de Oliveira                                            

Construção II foi composta com base na paisagem sonora de uma construção em Vila Nova de Gaia (Portugal). Dessa paisagem sonora foram retirados os ritmos, harmonias e texturas, os quais são reveladas através de uma narrativa musical desencadeada pelo piano. Os sons da construção são elaborados através de ambiguidades entre a referência direta desses materiais e o caráter abstrato da composição eletroacústica. O piano funciona como um mediador entre o concreto e o imaginário, dialogando com todos esses materiais e permitindo uma interação entre o ouvinte e essa paisagem sonora de grande energia.

Curva ao Infinito (2012) de Edson Zampronha                                     

Curva ao Infinito oferece aos ouvintes uma experiência estimulante que explora imagens sonoras únicas. Ao início, uma melodia em estilo improvisado tocada pelo piano contrasta com sons eletroacústicos praticamente imóveis. Em seguida, os sons eletroacústicos se movem com força e o piano responde melodicamente. Durante toda a obra a relação entre o piano e os sons eletroacústicos está concebida para dar aos intérpretes espaço para criar uma interpretação flexível, e extrair o melhor da sua expressividade individual. Curva ao Infinito foi especialmente composta para o projeto Going North, criado e interpretado por Luciane Cardassi.

 Douce Dame Jolie (2017) de Maria Eduarda Mendes Martins                

Douce Dame Jolie é uma recriação de uma canção do século XIV, que leva o mesmo nome, composta por Guillaume de Machaut. Ao compor esta peça, Maria estava interessada em explorar as muitas possibilidades sônicas da combinação de piano, sons eletroacústicos e voz, em relação à estrutura da canção medieval sobre a qual se baseia Douce Dame Jolie– o Virelai.

afloat (2014) de Paulo Guicheney

 afloat, escrita para Luciane Cardassi, nasceu da leitura de um poema de Sylvia Plath, a segunda parte de, Two Views of a Cadaver Room– este, por sua vez, inspirado em The Triumph of Deathde Pieter Bruegel the Elder.Estruturalmente, a obra faz uso do que o compositor nomeou de “polifonia de periodicidades” (camadas de repetições em diferentes andamentos) e “glissando de andamentos” (contínuas acelerações e desacelerações). Os samples (a parte eletroacústica da obra) agregam-se ao piano – agora um instrumento microtonal –, tornando um só o mundo eletrônico e o acústico.A voz de Cardassi está presente nos samples (e também em passagens faladas ao vivo), a pianista gravou diferentes versões do poema de Plath, e os versos foram eletronicamente desconstruídos.afloataprofunda uma questão fundamental da poética de Guicheney: a interação tensa – por vezes, agressiva – entre literatura e música.

memorial do granito (2015) de Rodolfo Valente

 “Não se trata o granito com uma cólera infantil”, escreve Gaston Bachelard em seu livro A Terra e os Devaneios da Vontade. Há um tempo do granito, um tempo da dureza das pedras. O tempo ativo estabelecido na relação entre o esforço do artesão e na resistência da pedra. Só quem frequenta a pedra pode aprender o seu tempo, sua dicção impessoal e sem ênfase, sua moral fria, sua poética concreta, sua economia compacta. Nada disso sabem os reis cujos nomes lemos nos livros. Nas pedras da Tebas das sete portas, só resiste a memória das mãos daqueles que as trabalharam.

Em seus próprios termos, memorial do granito investiga uma dialética não-narrativa entre os modos de atuação dos elementos terra e ar, sugerida em diversos níveis: a solidez do gesto instrumental contraposta à qualidade incorpórea dos sons eletrônicos; o confronto entre gestualidades específicas e regiões frequenciais distintas e o jogo entre interrupções abruptas e conexões fluidas.

Mohamed’s Clock (2016) de Rodrigo Meine

Composta entre janeiro e fevereiro de 2016 por encomenda da pianista Luciane Cardassi, a quem a peça é dedicada, Mohamed’s Clock é um breve comentário a respeito do incidente transcorrido em 14 de setembro de 2015, quando o estudante muçulmano Ahmed Mohamed foi apreendido e interrogado por levar um relógio digital desmontado – supostamente uma bomba falsa – para sua escola. Imediatamente após o incidente, alegações pertinentes às origens de Ahmed suscitaram discussões suficientes para atingir a Casa Branca.

A peça modela alguns aspectos que permearam o incidente: o escopo crescente nos sons eletrônicos distorcidos progressivamente, a pulsação regular do relógio no moto perpetuo, a suposta bomba no encerramento visceral e ruidoso. Assim, Mohamed’s Clock se traduz na reação e opinião do compositor em relação ao incidente, buscando evitar a adoção de visões dicotômicas simples.

Ramos (2016) de Paulo Rios Filho                                

Ramos (2016) é uma peça para piano (com voz) e eletrônica, escrita em colaboração com a pianista Luciane Cardassi. A obra acontece ao longo de fragmentos de vida, histórias e saberes da Dona Lúcia, rezadeira do Delta do Rio Parnaíba, e é tecida a partir de pontas e fragmentos dos fios de amizade entre ela e o compositor, por um lado, e entre este e a intérprete, por outro. Ramos é uma homenagem à figura das rezadeiras e benzedeiras. É um esforço expressivo de gratidão à generosidade e força da D. Lúcia. Ao mesmo tempo, é o encontro de forças de natureza e cura; linhas de fé e invocação em movimento.

 

 

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